Enquanto
os últimos sobreviventes do 6° Exército
resistiam nas ruínas de Stalingrado, o Exército
Vermelho mantinha-se posicionado para atacar ao longo
da linha.
A destruição
do 6° Exército alemão no inferno congelante
de Stalingrado durante janeiro e fevereiro de 1943 foi
seguida por uma ambiciosa ofensiva soviética,
cujo objetivo era fazer com que os alemães recuassem
em todas as frentes. Foi muito semelhante à ofensiva
de inverno de um ano atrás: um ataque a várias
frentes desprovido de objetivos estratégicos
claros. Ao formular seus planos, Stalin superestimou
as capacidades do Exército Vermelho e subestimou
a capacidade de reconhecimento do exército alemão.
A ofensiva soviética co¬meçaria com
um ataque massivo na Ucrânia. Três frentes
(Voronezh, Sudoeste e Sul) estavam envolvidas. A primeira
partiu para Carcóvia, Kursk e Oboyan. A frente
sudoeste do General Nikolai Vatutin planejava flanquear
as forças alemãs em Donbas e prensá-las
contra o Mar de Azov. Enquanto isso, a frente do sul
avançaria para oeste, ao longo da costa na direção
de Mariupol.
A QUARTA MAIOR
CIDADE
A frente do sudoeste
iniciou sua ofensiva em 29 de janeiro de 1943 com quatro
exércitos e um “Grupo de Frente Móvel”,
sob o comando do General M. M. Popov; massacrando o
caminho a sua frente. Por volta de 2 de fevereiro, quando
a frente de Voronezh lançou seu ataque ao norte,
o Exército da Terceira Guarda de Tanques já
estava sobre Donets a leste de Voroshilovgrad. A frente
Voronezh do General F. I. Golikov teve sucesso semelhante,
seus exércitos de flanco (40°, 69° e
3° Tanque) avançaram em uma linha Kursk -
Belgorod - Carcóvia.
Carcóvia era a quarta maior cidade da União
Soviética e um prêmio principal. A rapidez
do avanço soviético em Carcóvia
ameaçou romper a o 2° Panzer Corps da SS
e o Destacamento Lanz do Exército, bem como danificar
seriamente as comunicações entre o Grupo
do Centro do Exército e as unidades alemãs
ao sul.
LACUNA GIGANTE
Em 15 de fevereiro, o II Panzer Corps da SS evacuou
a cidade em vez de encarar o cerco, e, a 160 km, abriu-se
uma lacuna gigante na linha de frente alemã.
O Exército Vermelho agora estava posicionado
para capturar Dniepr cruzando Zaporozhye, o que cortaria
as linhas de suprimento alemão para o Grupo do
Exército no Don. Vatutin e Golikov seguiram exultantes,
enquanto os comandantes alemães se perguntavam
quando o aparentemente incansável avanço
soviético seria suspenso. Mas os soldados soviéticos
em terra começavam a sucumbir à pressão:
seu rápido avanço esgotou muitas formações
e divisões soviéticas que foram reduzidas
a pouco mais de mil homens. Metade da força de
tanques da frente do sudoeste esta¬va fora de combate,
resultado parcial de dano em batalha, mas, principalmente
causado por desgaste e defeitos mecânico. Contudo
foi tomada a decisão de manter a ofensiva: o
degelo da primavera estava a caminho e forçaria
uma suspensão temporária das operações,
já que o solo congelado se tornaria um lamaçal.
CEDENDO TERRENO
Pode não ter parecido óbvio para os exaustos
soldados soviéticos que avançavam contra
a precária resistência alemã, mas
seus inimi¬gos estavam cedendo terreno de propósito.
O Marechal-de-Campo Erich von Manstein convenceu Hitler
que o uso impensado das táticas defensivas usadas
na I Guerra Mundial poderia arruinar a campanha e torná-Ia
uma nova Stalingrado. Cedendo o terreno naquele momento,
ele poderia criar um contra-ataque que recuperaria a
maior parte do território perdido e destruiria
o avanço das forças soviéticas.
RUPTURA
Os comandantes soviéticos estavam bem servidos
pelos seus oficiais de inteligência e o reconhecimento
aéreo observava uma grande concentração
da blindagem alemã em torno de Krasnograd e um
maior movimento de soldados próximo a Dnepropetrovsk.
Infelizmente, a convicção de que os alemães
ainda estavam recuando os levou a concluir que era um
sim¬ples reagrupamento em direção
ao oeste.
Von Manstein atacou
em 20 de fevereiro. Soldados da SS Panzer atacaram de
Krasnograd enquanto o XL Panzer Corps investiu ao norte
para arrasar o “grupo móvel” de Popov,
composto por quatro corporações e com
apenas 25 tanques. Por muitos dias as unidades soviéticas
receberam ordens de continuar a ofensiva, até
que a dura realidade de seu posicionamento foi percebida
por seus comandantes. Mesmo assim, muitas unidades não
receberam instrução para recuar e foram
cercadas pelos alemães. No final do mês,
as forças de Manstein haviam rompido através
de Donets.
PRESOS NA NEVE
A paisagem plana e clara do inverno era ideal para uma
ofensiva blindada e deixaria os soviéticos em
retirada terrivelmente expostos. Visíveis até
20 km, as colunas soviéticas podiam ser alvejadas
com artilharia conforme se deslocavam rapidamente para
leste. E, considerando o fato de que pouquíssimos
tanques possuíam munição ou combustível,
os soviéticos não tinham condições
de resistir a um ataque blindado. Muitas unidades entraram
em pânico sob tensão e mal pareciam estar
sob ordens militares. A Carcóvia foi recapturada
em 15 de março, e a frente foi estabelecida conforme
o degelo de primavera impôs seu pulso firme detendo
todas as operações.
O contra-ataque de Von Manstein permanece um modelo
de combate defensivo mecanizado. Os alemães não
puderam resistir ao rolo compressor soviético,
mas recuaram lentamente até que pudessem reunir
forças suficientes para um contra-ataque e seus
inimigos estivessem praticamente sem suprimentos, combustível
e munição. Quando o ataque foi lançado,
os comandantes dos tanques não foram engessados
por instruções rígidas, mas tiveram
permissão para usar seu Fingerspitzengefuhl (percepção
na ponta dos dedos). O uso de tal iniciativa permitiu
que as forças alemãs reagissem com rapidez
diante das circunstâncias e esquivando-se melhor,
embora mais lentamente, das formações
soviéticas. Von Manstein estava suficientemente
confiante em seu sucesso para iniciar os planos para
a campanha de verão muitos dias antes do início
do contra-ataque: deste modo, a Batalha de Kursk já
estava tomando forma.
Crononologia
DEZEMBRO1942 • FEVEREIRO DE 1943
A defesa alemã em Stalingrado cai, a rendição
final acontece em 2 de fevereiro. O Grupo do Don do
Exército alemão sob o comando de Kleist
corre o risco de ser cercado no sul do Cáucaso,
por isso, recua para leste em direção
ao Mar de Azov, enquanto o Grupo do Don de Manstein
avança para o norte mantendo um corredor aberto
para a retirada. O próprio Grupo do Don de Manstein
recua de volta para Rostov. Stalin, radiante devido
ao êxito, planeja mais uma ofensiva para esmagar
a presença alemã no Cáucaso.
12 DE JANEIRO
Já que as forças russas em Stalingrado
estavam perto da vitória, os soviéticos
lançam uma nova ofensiva para limpar o Cáucaso.
A ofensiva tem duas linhas: a frente de Bryansk do Coronel-General
Reiter e a frente de Voronezh do General Golikov partiram
de Voronezh e cortaram o 2° Exército alemão
e o 2° Exército húngaro do Grupo B
do Exército; a frente do sudoeste do General
Vatutin e a frente do sul do Eremenko vão para
o sul lançando-se contra o Grupo do Don de Manstein
em direção a Carcóvia e Rostov.
2 - 5 DE FEVEREIRO
Encorajado por Manstein, Hitler permite que Rostov seja
abandonada.
6 DE FEVEREIRO
Manstein retoma para a Alemanha para consultar Hitler
em Rastenburg. Ele delineia um plano para uma contra-ofensiva
alemã no sul da Rússia, a princípio,
aceito por Hitler.
8 DE FEVEREIRO
Os russos retomam a cidade de Kursk. Ela havia sido
capturada pelo alemães em novembro de 1941.
12 DE FEVEREIRO
Os Grupos do Exército alemão são
renomeados. O Grupo do Don do Exército de Manstein
se torna o Grupo do Sul do Exército; O Grupo
B do Exército de Kluge se torna o Grupo do Centro
do Exército.
14 DE FEVEREIRO
Rostov cai com o avanço russo. A frente sudoeste
de Vatutin chega a Carcóvia.
14 - 18 DE FEVEREIRO
Uma feroz batalha de rua rompe em Carcóvia entre
as tropas russas do 40° Exército e do 3°
Exército de tanques e as forças de elite
do I Panzer Corps. As forças soviéticas
renovadas, contudo, eventualmente superam os alemães,
que são forçados a ceder a cidade no dia
18. A frente de Voronezh e a frente do sudoeste ficam
cronicamente esgotadas pela luta.
17 DE FEVEREIRO
Hitler visita Manstein e o consulta pessoalmente sobre
a contra-ofensiva planejada no Cáucaso.
20 DE FEVEREIRO
Manstein faz um ataque de flanco massivo contra o Grupo
de Tanques de Popov, em direção a Dnepropetrovsk,
usando o 4° e o 1° Exército Panzer posicionados
no norte do Mar de Azov. O II Panzer Corps da SS faz
um ataque focado no sul a partir de Krasnograd.
28 DE FEVEREIRO
A ofensiva do sul de Manstein alcança os bancos
do rio Donets. O Grupo de Tanques Popov e um grande
número das tropas soviéticas da frente
sudoeste de Vatutin são cer¬cados a oeste
do rio. Outras forças russas são agora
recuadas para Carcóvia.
7 DE MARÇO
O 4° Exército Panzer, sob o comando do Ge¬neral
Hoth, incluindo três Divisões SS Panzer,
ataca pesado a frente de Voronezh e co¬meça
a retomada de Carcóvia.
12 DE MARÇO
O avanço alemão alcança os subúrbios
de Carcóvia e, novamente, começa a luta
pesada na cidade.
14 DE MARÇO
O 4° Exército Panzer faz um cerco completo
em Carcóvia.
18 DE MARÇO
Carcóvia está novamente em mãos
alemãs, finalmente tomada pela Divisão
Grossdeutschland e as unidades SS.
18 - 26 DE MARÇO
A linha de frente se estabelece conforme a ofen¬siva
soviética finalmente se desfaz. Os soviéticos
ocupam uma grande saliência em Kursk, que se sobressai
das posições alemãs na Carcóvia.
EVENTOS INTERNACIONAIS (1943)
16 DE JANEIRO
O Comando de Bombardeiros da RAF renova os ataques a
Berlim depois de uma trégua de 14 meses para
a capital alemã.
22 DE JANEIRO
De acordo com as ordens de Hitler, a construção
naval. vem em segundo lugar com relação
à produção de tanques na Alemanha.
O aumento na saída de tanques é necessário
para suprir as perdas de blindados na Frente Oriental.
23 DE JANEIRO
A capital libanesa Trípoli é capturada
pelos britânicos depois de um avanço de
966 km a partir de El Alamein, empurrando as forças
alemãs e italianas de volta para Tunísia.
4 DE FEVEREIRO
As forças japonesas evacuam Guadalcanal depois
da primeira bem-sucedida campanha tenestre americana
da guerra. Cerca de 6.000 soldados japoneses escapam
da ilha, mas deixam para trás 24.000 companheiros
mortos.
20 DE FEVEREIRO
As forças americanas na África do Norte
sofrem uma derrota pesada pelas forças de Rommel
na Passagem de Kasserine, Tunísia.
25 DE FEVEREIRO
A Passagem de Kasserine retoma para as mãos americanas,
embora o custo dessa ação tenha sido 10.000
mortes Aliadas.
3-4 DE MARÇO
No cenário do Pacífico, as aeronaves americanas
destroem oito transportadores de soldados japoneses
e quatro destróieres na Batalha do Mar de Bismarck.
|
|
Erich von Manstein (nome de
nascimento: Fritz Erich von Lewinski)
(Berlim, 24 de novembro de 1887 - Irschenhausen,
11 de junho de 1973) foi um dos mais talentosos
comandantes militares alemães durante a
Segunda Guerra Mundial.
Entusiasta
das forças blindadas Panzerwaffe, foi o
principal arquiteto da versão final do
Plano Amarelo, o plano de invasão da França
que flanqueava a famosa Linha Maginot, executado
pelo exército alemão em 1940, onde
foram aplicados de forma maciça os conceitos
da guerra-relâmpago (Blitzkrieg), recém-desenvolvidos
pelos estrategistas alemães, dentre os
quais se destacava o próprio von Manstein.
Tornou-se
mundialmente famoso por sua atuação
na frente russa, onde conduziu várias ações
bem-sucedidas, com participações
brilhantes em várias batalhas contra os
exércitos soviéticos. Von Manstein
acabou afastado de seu comando em março
de 1944 por Hitler, em função de
divergências na condução das
forças alemãs perante a poderosa
contra-ofensiva então desencadeada pelos
exércitos soviéticos.
No
pós-guerra, em 1949 é condenado
pelo tribunal de Nuremberg a 18 anos de prisão,
mas em 1952 é libertado, vivendo até
1973.
Exerceu
papel fundamental na reestruturação
pós-guerra do exercito alemão Bundeswehr.
|
Links Relevantes:
+
Operação
Barbarossa - A invasão da Rússia (maio/dezembro
1941)
+
Wehrmacht Expulsa da Rússia
+
Nos
Portões de Moscou
+
O
malogro da invasão
+
Guerra Relâmpago
|